- NOVELA (TRISTE) DA SEMANA:
Dia 14/06, Telejornal da RTPA: um desempenho pavoroso de Miguel Correia!
Foi possível ouvir: «50% de redução nas horas extraordinárias é possível. (…) Existem médicos que darão o seu contributo para outras medidas que terão de ser tomadas. "Por exemplo? (perguntou o jornalista)" Nos consumos, (…) nas urgências há que fazer uma afectação conforme as horas de afluência!»
Dia 17/06: apesar da “forma light” como foi tratado no debate (por exemplo, se há classe que tem sido subestimada por Miguel Correia tem sido a de enfermagem) conseguimos ver um Miguel Correia no “seu melhor”:
- PREÂMBULO (toma lá mais 1500€)
II Série, N.º 111, de 14 de Junho de 2010 - Despacho N.º 596/2010 de 14 de Junho
Considerando que, nos termos do artigo 60.º do Contrato de Concessão para a Gestão do Edifício do Hospital da Ilha Terceira, (…) os membros do Governo Regional com atribuições nas áreas das finanças e da saúde nomeiam o Gestor do Contrato que representará a Concedente. Considerando que importa assegurar que as funções de Gestor do Contrato sejam asseguradas por pessoa com experiência comprovada na área da saúde e com conhecimento do funcionamento hospitalar. Assim, ao abrigo n.º 1 da cláusula 60.ª do Contrato de Concessão para a Gestão do Edifício do Hospital da Ilha Terceira determina-se:
1 – Nomear o Arquitecto João Parreira Cruz, coordenador do Gabinete Técnico de Aprovisionamento da Saudaçor, S.A., como Gestor do Contrato de Concessão para a Gestão do Edifício do Hospital da Ilha Terceira para desempenhar as funções a previstas naquele contrato.
2 – Pelo exercício das funções o Gestor auferirá a sua remuneração actual, acrescida do suplemento remuneratório de € 1.500,00.
3 - Os encargos inerentes a esta nomeação bem como as despesas decorrentes da participação em reuniões, deslocações e outras actividades no exercício das funções de gestor de contrato serão suportados pela Saudaçor, S.A..
4 - O presente despacho produz efeitos a 1 de Abril de 2010.
26 de Abril de 2010. - O Vice-Presidente do Governo Regional, Sérgio Humberto Rocha de Ávila. - O Secretário Regional da Saúde, Miguel Fernandes Melo de Sousa Correia.
26 de Abril de 2010. - O Vice-Presidente do Governo Regional, Sérgio Humberto Rocha de Ávila. - O Secretário Regional da Saúde, Miguel Fernandes Melo de Sousa Correia.
- DO MELHOR PARA A SAÚDE PÚBLICA
1. O vírus da Gripe A (H1N1) é caracterizado pelo Observatório Português dos Serviços de Saúde como "imperfeitamente" pandémico, embora a ideia que tenha prevalecido em relação à doença foi a de que a "montanha pariu um rato".
O Observatório Português dos Serviços de Saúde (OPSS) indica, no seu relatório anual, que a "experiência com a pandemia de gripe de 2009" pode ter contribuído para uma atitude menos complacente para com a gripe sazonal no futuro, além das respostas dadas pelas autoridades internacionais e nacionais. No entanto, as caraterísticas bipolares da pandemia - doentes com formas atenuadas de gripe e poucos a evoluírem rapidamente para situações mais graves - "tornou mais complexa e menos eficaz a comunicação" sobre a natureza da pandemia, assim como passou a ideia de sobrevalorização "injustificada" da ameaça da doença. O passo seguinte nesta cadeia de desconfiança foi a suspeita, de todo injustificada, de as autoridades internacionais de saúde terem sido coniventes com os interesses comerciais associados à venda de medicamentos e vacinas", lê-se no Relatório da Primavera do OPSS, apresentado dia 16.06.2010.
2. SIDA: OIT aprovou norma «histórica» sobre VIH e o trabalho
Na 99.ª Conferência Internacional do Trabalho, que decorreu em Genebra, na Suíça, até sexta-feira passada, foi aprovada uma «recomendação sobre o VIH e a sida e o mundo do trabalho» e uma «resolução relativa à sua promoção e aplicação», depois de um «intenso debate». Em comunicado, a OIT adiantou que esta norma prevê a criação de «programas de prevenção e medidas de não discriminação aplicáveis a nível nacional e a nível das empresas», reforçando o papel das empresas no «acesso universal à prevenção, ao tratamento e ao apoio no combate ao VIH e à sida».
- DO PIOR PARA A SAÚDE PÚBLICA
1. Conceição Nascimento (presidente do Conselho de Administração do Hospital da Horta) e António Sebastião Goulart (director clínico) apresentaram o seu pedido de demissão ao Governo.
Segundo apurou a Antena 1/Açores, a decisão terá sido tomada na sequência dos anunciados cortes no sector da Saúde.
Alegam os membros do Conselho de Administração, que não é possível cortar mais nas despesas sem pôr em causa a qualidade do serviço prestado. Por isso, sentem que não têm condições para continuar a gerir aquela unidade de saúde. Aliás, essa terá sido a razão para a ausência de Conceição Nascimento na cerimónia de assinatura dos contratos-programa entre o Governo e os hospitais, realizada na ilha Terceira. (…) O Governo já confirmou, à Antena 1/Açores, o pedido de demissão da Administração e do director clínico do Hospital da Horta.
2. As dívidas na Saúde ultrapassam os 500 milhões de euros na RA Açores.
Números avançados no Parlamento pelo PSD, que "acusa o Governo de despesismo, de derrapagem financeira e de esconder as dívidas dos Hospitais".
O Presidente da Câmara do Comércio pretende expôr o atraso nos pagamentos aos armazenistas ao próprio Chefe do Executivo, Carlos César, mas, entretanto, tem a promessa da Saudaçor de que vão ser pagas as verbas em atraso ainda no decorrer desta semana, e, por esta razão, Sandro Paim vai esperar até Sexta-Feira, 18 de Junho. Os atrasos nos pagamentos da Saudaçor aos armazenistas de medicamentos são periódicos.
O Presidente da Câmara do Comércio pretende expôr o atraso nos pagamentos aos armazenistas ao próprio Chefe do Executivo, Carlos César, mas, entretanto, tem a promessa da Saudaçor de que vão ser pagas as verbas em atraso ainda no decorrer desta semana, e, por esta razão, Sandro Paim vai esperar até Sexta-Feira, 18 de Junho. Os atrasos nos pagamentos da Saudaçor aos armazenistas de medicamentos são periódicos.
No entanto, o Presidente da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores promete fazer "todos os esforços para que os pagamentos passem a ser regularizados a 60 dias, sem excepção, conforme consta de um acordo assinado entre as partes, mas que a Saudaçor, mais uma vez, deixou de cumprir".
3. O bastonário da Ordem dos Médicos considera que o tempo de espera das consultas da especialidade resulta da falta de médicos e desorganização nos serviços.
Sugeriu ainda que os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) possam ter autorização para recorrer ao sector privado na área da consulta externa. Desta forma, o «doente poderia escolher livremente os médicos e com carácter genérico e universal o Estado estabeleceria determinadas condições a que os médicos estivessem interessados», num sistema semelhante ao que existe em França ou Alemanha.
4. A sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, sobretudo nos hospitais, tem "contornos preocupantes", que a crise acentua.
E a reforma nos cuidados primários deve receber "correcção urgente", alerta o Observatório Português dos Sistemas de Saúde. Um mar revolto e sombrio com dois barcos frágeis. Num deles, agrupam-se quase-náufragos, tentando ajudar outros em pior situação. Foi este o quadro escolhido pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde como capa do seu Relatório de Primavera.
Os autores do relatório, que tem como coordenadores Pedro Lopes Ferreira, Constantino Sakellarides e Ana Escoval, são peremptórios. As contas dos hospitais públicos (sobretudo no sector empresarializado) são de dívida com valor crescente, constata o relatório, cujos autores se queixam da falta de acessibilidade a dados claros. A necessidade de equipamentos mais evoluídos e o custo dos medicamentos avolumam essa dívida que, com a manutenção dos níveis de procura por parte dos utentes, “colocam sérios problemas ao normal desenvolvimento das actividades dos hospitais”. Qualquer reorganização neste nível dos cuidados de saúde, aconselha o Observatório, deve equacionar o que será mais indicados – abertura de novas unidades, encerramentos ou integração. E o controlo da despesa deve encontrar mecanismos que também tenham em conta a qualidade dos cuidados prestados.
Fale e escreva livremente e vá pensando nisto, pela Saúde de todos nós. Até à próxima semana,
Mário Freitas, médico especialista em Saúde Pública e em Medicina do Trabalho (Docente da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, 1º e último Delegado de Saúde da Ilha de São Miguel)
Contacto: mariofreitas@ilhascomsaude.com e http://andoacogitar.blogspot.com/
8 comentários:
Quem é o Arquitecto João Parreira Cruz?
Alguem de referencia?
Aconselho este link. Esclarecedor.
http://www.google.pt/search?sourceid=chrome&ie=UTF-8&q=%22jo%C3%A3o+parreira+cruz%22
Acho particularmente interessante esta ligação
http://www.oje.pt/noticias/negocios/novo-hotel-na-praia-da-vitoria-representa-investimento-de-24-milhoes
Esta terra é um show!
Até ai já tinha chegado.
E tb fez parte da equipa que acompanhou o Hospital de Ponta Delgada em 1991, no tempo do PSD.
Por isso não percebi bem o seu enquadramento...
Note-se: o enquadramento deste Hospital é completamente diferente do HDES. Trata-se de uma PPP, entregue para gestão de privados. E para fazer o acompanhamento deste processo, o Estado/Região faz esta nomeação, a 1500 euros por mês...
Outras leituras que eu possa fazer, faço-o em privado, mas serão fáceis de adivinhar.
Compreendo perfeitamente o que diz...
Desconhecia o seu blog, só o seguia pelo fb.
Agora estarei mais atento.
Concordo na maioria dos pontos e felicito a frontalidade. Comento pontos.
1- Miguel Correia disse que a qualidade mede-se pela satisfação das pessoas...mas a avaliar pelo teor das chamadas no programa, percebe-se é insatisfação sobretudo a nível da medicina familiar.
2- Na sequência das chamadas para o programa e da quantidade de vezes que Miguel Correia disse "vou averiguar esses factos" traduz a total falta de conhecimento o que se passa na realidade da saúde nos Açores. Se calhar os números que o secretário tem são de estudos de qualidade "Revista Maria".
3- Nota final para as declarações populistas e graxistas do presidente da Câmara do Comércio de Angra (que nem curso tem mas que em breve há-de ser director de qualquer coisa). Quem paga aos armazenistas não é a saudaçor...são os hospitais mediante os contratos que fazem com esses armazenistas, sendo que em muitos casos acaba por ser uma instituição bancária que avança o dinheiro e posteriormente cobra ao hospital.
Lamentávelmente, até nisto Miguel Correia uma vez mais esteve mal assumindo uma responsabilidade que é dos conselhos de administração dos hospitais...ou afinal são EPEs apenas no papel?
Agradeço as palavras e felicito pela análise, que me parece bastante acertada.
Ressalvo este aspecto: em relação aos CA dos Hospitais da Região a atitude do Sr. Dr. Miguel Correia tem sido absolutamente desprezível: ao invés de autonomizar parece apenas querer centralizar, envolvendo-se em situações que claramente não sou do seu âmbito! Quando ele nomeia um CA está a delegar nos elementos do mesmo competências de gestão do Hospital. Se leva o tempo a intrometer-se naquilo que é competência delegada está a desautorizar o CA, e no fundo a desautorizar-se a si mesmo ("até vos nomeei para tomarem conta da casa, mas agora quero a casa assim e assado")
sou=são
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